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Saúde e ambiente: oportunidade para um ciclo virtuoso

A crise climática que testemunhamos tem consequências devastadoras para o planeta. Já não restam dúvidas sobre isso, basta acompanhar o noticiário: aumento de mortes causadas por ondas de calor extremo, derretimento acelerado de geleiras, incêndios cada vez mais frequentes e mais letais, inundações com níveis inéditos…


E isso tudo também tem impacto na saúde humana. Cientistas já descreveram a interação entre mudanças climáticas e a saúde como "a maior ameaça do século 21".

Mosquito da dengue pousado em pele humana
Mosquito da dengue (foto: Rafael Nedermeyer/Fotos Públicas)

Recentemente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou: a dengue pode ter recordes nos casos em 2023, em parte devido ao aquecimento global, que favorece o espalhamento dos mosquitos. Segundo a entidade, os casos em 2022 foram oito vezes mais numerosos do que os de duas décadas antes, em 2000. Foram 4,2 milhões no ano passado.


A OMS já fala em uma "ameaça pandêmica" ao alertar que a dengue é a doença tropical que mais se espalha no mundo.


E este é apenas um dos aspectos da relação entre a nossa saúde e crise climática. As mudanças ambientais causadas pela ação humana também ameaçam a saúde ao causar escassez de água e de alimentos, aumentar riscos de desastres naturais e provocar grandes deslocamentos de pessoas. Em muitos países, cerca de 30% das doenças são causadas por fatores ambientais, como a falta de saneamento e a poluição do ar.


Vice-versa

Se a saúde humana sofre graves consequências da crise climática, o contrário também é real: a área da Saúde emite níveis de CO2 que têm impactos negativos no meio ambiente. Serviços de saúde são responsáveis globalmente por 4,4% do total líquido de emissões.


Se fosse um país, o setor da Saúde ocuparia a 5ª posição em emissão de gás carbônico no planeta, atrás de China, EUA, Índia e União Europeia (UE), mas com uma pegada maior do que a de países como Rússia, Brasil ou Japão [veja gráfico abaixo]. Os dados são da ONG Saúde Sem Dano, que atua para a redução da pegada ambiental do setor, com base em informações de diversos estudos.


Gráfico mostra participação dos principais países emissores de CO2 em comparação com a área da Saúde
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Nas maiores economias do mundo, as emissões de CO2 pela área da Saúde representam cerca de 5% de suas pegadas nacionais, segundo um estudo de um grupo de cientistas do Instituto Potsdam para Pesquisas de Impacto Climático, na Alemanha.


Na maioria dos países, esse número só não é maior do que o de setores sabidamente poluidores, como energia, transportes e construção.


A emissão combinada de hospitais, serviços médicos e da cadeia de suprimentos do setor entre OCDE, China e Índia é maior do que a da aviação ou a de transporte marítimo.


A pegada climática global do setor da Saúde equivale às emissões anuais de gases de efeito estufa de 514 usinas de energia movidas a carvão.


Gráfico mostra a participação de cada setor que compõe a área da Saúde nas emissões de CO2
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Emissões globais de saúde por setor de produção (fonte: Health Care’s Climate Footprint Health Care Without Harm/ Arup (2019)


"Instalações do setor de Saúde são o coração operacional da prestação de serviços, protegendo a saúde, tratando pacientes e salvando vidas. No entanto, também são uma fonte de emissões de carbono, contribuindo para as mudanças climáticas. Em todo o mundo, elas despejam CO2 [na atmosfera]... Isso talvez seja irônico - como profissionais de saúde, nosso compromisso é 'em primeiro lugar, não causar danos'. Locais em que se cura devem liderar, não contribuindo para o fardo de doenças". - Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS

Estimativas dão conta de aumentos significativos nas emissões de carbono por sistemas de saúde ao redor do planeta. A previsão, diz a ONG Saúde Sem Dano, é que até 2050, o número pode triplicar se nenhuma ação de mitigação for adotada pelo setor, um aumento de 6 gigatoneladas de carbono lançado à atmosfera por ano.


O nosso papel

Não faz sentido a Saúde agravar a crise climática que causará, em última análise, a piora da saúde humana. Daí a importância da descarbonização da Saúde, um tema que vem ganhando relevância recentemente. Alguns hospitais já estão liderando este movimento, como Sírio-Libanês e Albert Einstein, em São Paulo, e Pequeno Príncipe, em Curitiba. Mais de 170 hospitais na América Latina trabalham junto à Rede Global de Hospitais Verdes e Saudáveis da Health Care Without Harm, calculando suas pegadas climáticas e assumindo compromissos de redução de emissões.


A SAS Smart acredita e investe neste movimento. Por isso, criamos a CompenSAS, ferramenta que calcula o impacto do deslocamento de pacientes e converte viagens evitadas com o uso da telessaúde em créditos de carbono. A calculadora tem o enorme potencial de reduzir em até 95 milhões de toneladas de CO2 as emissões na atmosfera.



Ao fazer esse processo, a CompenSAS pode representar uma solução nos dois sentidos: favorece o acesso à saúde ao mesmo tempo que reduz as emissões de CO2 na atmosfera. É uma solução que propõe um ciclo virtuoso nessa relação saúde e meio ambiente.


"A CompenSAS é uma solução escalável, que tem benefícios social e ambiental combinados, além de ter o potencial de ser uma nova forma de receita para o setor da saúde. Em um contexto de emergência climática, em que todos os setores estão sendo pressionados a agir, acreditamos que esta solução representa uma oportunidade de resposta rápida e efetiva para o setor da saúde". - Sabine Bolonhini, cofundadora da SAS Smart

Para o alto e avante

Outras medidas podem ajudar a reduzir a pegada da Saúde no meio ambiente, como adotar energia limpa nos processos, como a gerada por placas fotovoltaicas e "moinhos de vento", usar meios de transporte sustentáveis, como bicicletas e veículos elétricos, digitalização de prontuários eletrônicos, com certificação digital e prescrições médicas eletrônicas etc.


Meio ambiente e a saúde humana estão mais interligados do que muitos podem imaginar. O papel da Saúde na mitigação da crise climática é importante e urgente. Descarbonizar a Saúde é um processo complexo que depende de integrar e adotar práticas mais sustentáveis ao longo de todo o ecossistema que envolve os serviços de Saúde, como fornecedores, logística, profissionais etc.


Foto de capa: Ron Lach/Pexels

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